Sexta-feira 13
make a witch!
Haverá um momento em que você precisará escolher entre a vida que você conhece e a vida que você deseja. É muito importante escolher aquela que te assusta.
Foi com essa frase que minha amiga Luciana Canto me acordou pela manhã, dando o mote para que eu escolhesse me arriscar e colocar aqui alguns pensamentos. Hoje é sexta-feira 13, um dia especialíssimo para mim desde que me entendo por bruxa. Desde sempre. Desde muito cedo. Desde antes de renascer.
A precocidade é um tipo de maturidade prematura — uma contradição meio maluca, nascida para dar errado. E, afinal, o que é dar errado? E quem define o tempo das coisas? Eu, certamente, não sou.
Mês passado, no dia 28 de fevereiro, fez oito anos que meu pai mudou de plano. É bastante tempo. Dá para viver duas Copas, duas Olimpíadas, duas eleições ou um ciclo completo de Vênus. Após oito anos, o planeta retorna ao mesmo ponto em nosso céu, aproximadamente na mesma data — um movimento cíclico de grande interesse para povos antigos, como os Maias. Hoje, muitos o conhecem como o “Pentagrama” ou as “Pétalas de Vênus”, simbolizando uma grande revisão de afetos, valores, autoestima e finanças.
Curiosamente, aos oito anos de idade, eu vivia o último ano da minha vida antes de me apaixonar pela primeira vez. Hoje, percebo que os ciclos se sobrepõem.
Há cinco anos, em plena pandemia, no fatídico dia em que meu pai se foi, seu irmão mais novo — meu padrinho — também partiu para “o país não descoberto, de cujos confins jamais voltou nenhum viajante”. Cinco anos depois, os netos deles chegaram ao mundo, subvertendo todas as expectativas e elevando as nossas vidas a um nível estratosférico. Touro e Capricórnio.
Há exatos três anos, decidi transmutar minha vida do vinho para a água. E há dois, sem sequer perceber a magnitude da contagem, deixei de consumir cerca de oito mil cigarros de tabaco. O mais absurdo era a ilusão de que eu não exalava o odor do fumo ou que era ok baforar em qualquer ambiente aberto, independentemente do contexto. O vício alimentava ferozmente minha arrogância e soberba. Hoje, percebo a insensatez que era acreditar que, no meio de uma multidão em um show, eu tinha o “direito” de exalar vapores fétidos, pestilentos apenas por estar sob o majestoso teto incrustado com chispas de fogo dourado.
Que alívio é poder abraçar e beijar meu afilhado sem o hálito residual do tabaco (que é, francamente, terrível) e pedir perdão a quem beijei enquanto eu ainda fumava; só descobri o quão “punk” era a experiência depois que parei e beijei um fumante pela primeira vez (kkkkrying).
Lembro do primeiro festival a que fui sem carregar meus vícios. Em determinado momento, eu não sabia o que fazer com as mãos. Coloquei no bolso, passei no cabelo, até cogitei pegar o celular — mas sustentei firme esse estado de presença que eu ainda estava aprendendo a habitar para conseguir realizar esse grande acontecimento: assistir a um show sem beber, sem fumar e sem a mediação de uma tela.
Ufa. Consegui.
Não durei muito tempo in loco. O que antes era aceitável e até divertido, começa a se desconfigurar, tornando-se um monstro grostesco se arrastando lentamente em minha direção. Não passa nada. Absolutamente nada. E, se passa, é porque eu deixo passar. Ter escolha é uma das coisas mais poderosas que venho experimentando. Não escrevo isso para ocupar o lugar da “ex-fumante chata”; não sou essa pessoa. Apenas desejo recordar, no dia de hoje, que o que deixei de fazer é muito maior do que o que realizei.
E isso também é uma contradição intrigante: o “não fazer” tornou-se minha ação mais valorosa. Ir contra a própria vontade está me ajudando a construir uma musculatura emocional que eu julgava não ser possível, alimentada por vastos silêncios e flexibilizada por uma disciplina que nasce do puro instinto de sobrevivência e liberdade. Forte em perseverança.
No processo de mudança, aqueles que nos cercam são tão importantes quanto aquilo em que nos tornamos. Tenho pensado nisso a partir de uma leitura que insisti e me rendeu recentemente: o livro Mudar: método, de Édouard Louis.
o vazio se transforma em espaço
viva no mistério
aloha 👽
After: O Filme Marte Um sempre foi meu favorito ao Oscar. Dá um baile nos últimos brasileiros premiados, mas essa é só a minha humilde opinião.
Esse texto pra variar cita Hamlet, preciso desapegar dele, mas enquanto isso, pra quem tá em São Paulo, vale ver a montagem Nu Cine Copan. O texto está quase na íntegra e Gabriel leone é lindimais e ótimo ator. (Daria pra explorar bem mais o espaço? Sim! Daria pra ser mais rock'n'roll? Sim! Mas quem tá lá dando a cara a tapa são eles, e não eu. Então vou me calar.)





Muito legal seu texto, adorei. Também já fui fumante e, hoje em dia, fico inconformado com quem ainda fuma. Mas também não sou do tipo de antitabagista chato. No entanto, ontem fiquei bastante incomodado quando um amigo começou a fumar ao meu lado em uma festa.
Olá filha! Que bom vc ter ouvido a sua amiga! Digo pq pensei em lhe dizer q não deixasse de escrever aqui o q se passava em seu coração/mente… e Deus ouviu eu pensando em lhe dizer q postasse alguma fala sobre essa data tão significativa em sua vida!! 🙌🏼✨
Admirável a sua forma de se expressar e tb de exemplificar rsrs
Colocar p fora se torna uma forma poderosa de nos esvaziar de entulhos, resquícios roedores de paz… e até mesmo de coisas boas a serem compartilhadas…e não podia ser diferente em uma data tão significativa p todos nós, especialmente p vc e p mim! Que Deus lhe abençoe sempre intuindo-a a fazer ou colocar em prática os sonhos Dele p você! Te amo e lhe admiro! 🥰❤️❤️